Ainda que o desemprego esteja em alta e o Brasil atravesse uma crise econômica, por conta da pandemia do novo coronavírus, os moradores do estado de São Paulo continuam contratando planos de saúde.

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em novembro, o Estado possuía 17,2 milhões de beneficiários, número superior ao verificado antes da pandemia (17,1 milhões) e em novembro de 2019, quando 17,14 milhões de paulistas possuíam um contrato de plano de saúde.

Na opinião da coordenadora do programa de saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ana Carolina Navarrete, o medo de ficar desassistido em plena pandemia, explica o fenômeno inusitado, visto que os contatos de planos de saúde costumam estar associados ao emprego formal. “Estamos em uma crise sanitária sem precedentes e as pessoas querem se valer da maior possibilidade de segurança de atendimento possível. Dessa forma, apesar do desemprego, o consumidor está preferindo sacrificar outras despesas antes de abrir mão do atendimento à saúde.”

Planos coletivos por adesão

No Brasil, a contratação de planos de saúde pode ser feita de três maneiras: individual ou familiar, quando o plano é contratado por uma pessoa física; empresarial, quando o plano é contratado por uma empresa que oferece o benefício para os seus funcionários; e por adesão, quando a contratação se dá por meio de uma instituição trabalhista, como associações, sindicatos e conselhos de classe, e é justamente a última opção que está puxando as altas de contratações.

Para se ter ideia, enquanto em março do ano passado, 6,18 milhões de brasileiros possuíam um plano coletivo por adesão, em novembro, já eram 6,28 milhões de pessoas, uma alta de 1,61%. No mesmo período, o empresarial cresceu 0,6% .

“Os planos coletivos por adesão têm apresentado sucessivas altas nos últimos anos, em especial em momentos de instabilidade. Isso porque não há necessidade de vínculo empregatício, basta vínculo associativo. Por ser coletivo, apresenta valores mais baixos quando comparado aos individuais. O medo da pandemia levou a maior procura por este tipo de plano que, apesar de ter menos beneficiários em números absolutos, proporcionalmente, teve um crescimento duas vezes maior do que os empresariais em 2020”, explica o superintendente do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), José Cechin.

Outras alternativas

Ainda que os planos tenham chegado ao fim de 2020 com uma alta no número de contratações, nem todos os meses de pandemia foram positivos. Entre fevereiro e junho do ano passado, quase 300 mil pessoas deixaram de contar com planos de saúde no Brasil. Só no estado de São Paulo foram 148 mil pessoas.

O Sistema Único de Saúde (SUS) costuma ser o local para o qual a maior parte das pessoas recorrem quando não podem contar mais com a assistência privada. Porém, ele não é a única alternativa, entre o SUS e os convênios, tem crescido a oferta de planos populares, com rede credenciada mais restrita, bem como de startups médicas, que costumam oferecer uma espécie de assinatura de consultas ou descontos nos atendimentos de médicos credenciados.

“Ao buscar por essas alternativas, o consumidor deve avaliar se o serviço contempla as suas necessidades. Além de observar eventuais políticas de reajustes e de aumento por faixa de idade”, ressalta Navarrete.

Macaque in the trees

Como ficam os reajustes em 2021?

Para aliviar o bolso do consumidor, em 2020, a ANS suspendeu o reajuste anual e por faixa etária dos planos de saúde. Agora, em 2021, as empresas podem cobrar as parcelas retroativas referentes ao ano passado. Para os planos individuais, a regra da Agência permite o parcelamento dos reajustes que eram devidos no ano passado, mas não foram aplicados, ao longo dos meses de 2021.

Nos planos coletivos, por sua vez, segundo o IESS, “os reajustes diferem de operadora para operadora e de contratante para contratante, e seus valores resultam da livre negociação entre as partes.”

No site da ANS é possível consultar um passo a passo para saber se o reajuste aplicado está correto ou não. O Idec também está disponibilizando uma calculadora para auxiliar o cidadão.
Se o índice estiver correto e ainda assim, o usuário não conseguir arcar com a mensalidade do plano, a opção, de acordo com o Instituto, é o downgrade (trocar para um plano mais barato da mesma operadora), ou a portabilidade (trocar para um plano equivalente de outra operadora).